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domingo, 5 de novembro de 2023

Um pouco sobre os números primos: Infinitude dos números primordiais

Número primo é todo número natural maior do que 1 que possui exatamente dois divisores o 1 e ele próprio. São exemplos de primos os números 2,3,5,7 e 11. Se um número não é primo ele é composto. Vamos discutir sobre a infinitude da quantidade de tais números. Muitas vezes essa informação é dada como um dogma na escola de tal modo que parece óbvio a existência de infinitos números primos e esse não é um fato trivial.

Bem, mas por que se questionar sobre a infinitude dos números primos? À primeira vista, pode-se conjecturar que não existem infinitos números primos. De fato, de 1 até 10 existem 4 números primos, isto é, 40% dos 10 primeiros números naturais são primos. De 1 até 100 temos 25 primos, de 40% passamos a ter uma proporção de 25%. Já de 1 até 1000 notamos 168 números primos, assim a proporção de números primos neste intervalo é 16,8%. Se continuarmos vamos notar que menos de 3,77% do primeiro trilhão de números são primos. Isso dá a ideia de que eles se tornam mais raros. 

Densidade dos números primos. 

De sorte que, 1/\ln(x) é a densidade média dos números primos no intervalo de 1 até xEntão, possivelmente se tornam tão raros que sumam, visto que, 1/ln(x) \to 0 quando x \to + \inftyOutro fato que colabora para suspeitarmos da infinitude dos primos é o fato de existirem desertos de números primos. Podemos criar intervalos tão grandes quanto queremos de números consecutivos compostos. Basta considerarmos o conjunto,

A=\{(n+1)!+2, (n+1)!+3, (n+1)!+4, ..., (n+1)!+(n+1)\}.

Com n \in \mathbb{N}. Este subconjunto dos naturais é formado por n números consecutivos compostos. De fato, podemos garantir que (n+1)!+2 é divisível por 2, que o (n+1)!+3 é divisível por 3 e assim sucessivamente. Bem, como exemplo numérico podemos criar uma sequência de 1000 números consecutivos e compostos,

B=\{1001!+2, 1001!+3, ..., 1001!+1000, 1001!+1001\}.

Por fim a verdade:

Apesar de todos os possíveis indícios gerados por nossa investigação acima, sabemos que nossa suspeita é falsa. A demonstração a seguir é creditada a Euclides, mas não é, de fato, dele. A demonstração de Euclides é construtiva, então nossa demonstração é na realidade uma adaptação. Por simplicidade faremos por redução ao absurdo.

Demonstração:

Suponha por absurdo que há uma quantidade finita de números primos. Seja o conjunto P=\{p_1,p_2,...,p_n\} onde p_i é primo para todo i=1,2,...,n e p_1=2<p_2<....<p_n. Isto é, P é o conjunto de todos os números primos. Agora considere,

N=p_1p_2...p_n.

Também consideremos o número natural N+1. Por hipótese N+1 não é primo pois p_n é o maior número primo e N+1>p_n \Rightarrow N+1 \notin P. Então, pelo Teorema fundamental da Aritmética existe pelo menos um p_i \in P para algum i, tal que p_i|(N+1). Mas, por outro lado p_i| N \Rightarrow p_i|(N+1)-N \Rightarrow p_i|1, o que é um absurdo pois p_i>1. Portanto, existem infinitos números primos.\,\,\,\square

 

Um pequeno desafio:

1) Mostre que existem infinitos primos da forma 4k+3 com k \in \mathbb{N}.

A solução será postada em breve! 


Referências 

MARTINEZ, F. B. et al. Teoria dos Números: um passeio com primos e outros números. IMPA, Rio de Janeiro, 5ª edição, 2018.


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